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Idosos do SCFV visitam Retiro São João Batista

A programação de setembro para os idosos, promovida pela Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos de São João da Barra, por meio...

domingo, 30 de setembro de 2018

Idosos do SCFV visitam Retiro São João Batista

A programação de setembro para os idosos, promovida pela Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos de São João da Barra, por meio do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV), foi encerrada na sexta-feira, 28, com visita ao Retiro São João Batista e apresentação de dança sênior e confraternização entre os idosos das duas instituições. Na ocasião foi celebrado o aniversário da idosa Nilcéia Barboza, que completou 79 anos.
A psicóloga do retiro, Dann Kelly Pereira, parabenizou a iniciativa e destacou a importância dessa interação. “Nossos idosos ficam muito felizes em receber esse carinho. Trazer a sociedade para dentro da instituição é fazer com eles não percam o contato com o exterior, isso é fundamental para eles”, salientou.
Durante todo o mês de setembro foram realizadas várias atividades com os idosos do SCFV, que funciona no espaço Amadeu Chácar Filho, como caminhada, dia de beleza, visita à Uenf, bingo, ida ao 27º encontro da Terceira Idade em Raposo e festa tropical.
A coordenadora do SCFV, Ademilde Resende, destacou que foi um mês com muitas atividades comemorando antecipadamente o Dia do Idoso (1º outubro). “A secretaria de Assistência Social foi fundamental para realização de todos os eventos, apoiado nossas sugestões de programação, possibilitando aos nossos usuários participar de diversas atividades dentro e fora do município”, pontuou.
Fonte: Secom - SJB

sábado, 29 de setembro de 2018

Papa expulsa do sacerdócio padre chileno Fernando Karadima por pedofilia

O papa Francisco expulsou do sacerdócio o padre chileno pedófilo Fernando Karadima, a maior condenação possível dentro da Igreja católica, confirmando sua vontade de acabar com os abusos sexuais dentro da instituição.
O anúncio, feito pelo Vaticano por meio de uma nota oficial nesta sexta-feira, responde aos pedidos das vítimas de abusos de que o sacerdote recebesse uma punição exemplar.
"O papa Francisco demitiu da função clerical Fernando Karadima Fariña, da arquidiocese de Santiago do Chile. O Santo Padre tomou esta decisão excepcional de forma consciente e pelo bem da Igreja", informa o comunicado do Vaticano.
Karadima, de 88 anos, formador de vários bispos, havia sido suspenso por toda vida de suas funções pelo Vaticano em 2011 após ser condenado por abuso sexual de menores cometidos nas décadas de 1980 e 1990.
O decreto, assinado pelo papa na quinta-feira, 27 de setembro de 2018, entrou em vigor automaticamente, e também retira todas as obrigações clericais, informou o Vaticano, acrescentando que Karadima foi notificado nesta sexta-feira.
"A destituição do estado clerical é mais um passo na linha dura do papa Francisco ante os abusos", afirmou o porta-voz do Vaticano, Greg Burke.
"Estávamos ante um caso muito sério de podridão e era necessário arrancá-lo pela raiz", acrescentou. "Trata-se de uma medida excepcional, sem dúvida, mas os graves delitos de Karadima causaram um dano excepcional no Chile".
O caso dos abusos sexuais cometidos pelo padre Fernando Karadima é um dos mais emblemáticos do Chile por causa da influência dele dentro da Igreja.
Na paróquia de El Bosque, localizada em um bairro afluente da capital chilena, que dirigiu de 1980 a 2006, Karadima forjou ao longo dos anos fortes laços com setores da elite política e econômica do Chile.
 
 
"O pedófilo Karadima expulso do sacerdócio. Eu nunca pensei que veria esse dia. Um homem que arruinou a vida de tantas pessoas. Agradeço que o papa Francisco @Pontifex_es tenha tomado esta decisão finalmente. Espero que muitos sobreviventes sintam um leve alívio hoje", tuitou Juan Carlos Cruz, uma das três vítimas recebidas pelo papa em abril passado.
Francisco está comprometido com a limpeza da Igreja chilena, mergulhada em escândalos de abusos sexuais cometidos contra menores e já afastou um total de sete bispos.
Em maio passado, mais de trinta bispos chilenos renunciaram em bloco após se encontrarem com Francisco, a quem as vítimas e especialistas pedem firmeza e "tolerância zero" contra a pedofilia.
Para muitos observadores a decisão de expulsar Karadima do sacerdócio chegou tarde, e foi necessário que se passassem muitos anos para que o Vaticano finalmente o condenasse em 2011 a "uma vida de oração e penitência" pelo delito de "abuso de menor".
No entanto, a decisão de Francisco de expulsar Karadima do sacerdócio é mais grave que a tomada pelo papa Bento XVI em 2006 contra o poderoso sacerdote mexicano Marcial Maciel, fundador da influente congregação Legionários de Cristo, que foi "afastado" da vida pública pelos graves abusos sexuais a menores cometidos por décadas.
"Além do simbólico, do reparador que pode ser para as pessoas que sofreram os abusos, tem um toque de esperança muito forte que estejam sendo criados ambientes mais seguros para os jovens e crianças e que estas coisas não passem ao futuro", comentou no Chile Juan Carlos Hermosilla, advogado das vítimas de Karadima.
Fonte: JB

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Contas de luz continuam com tarifa mais alta em outubro

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) informou hoje (28) que vai manter a cobrança extra na conta de luz no patamar mais alto em outubro.

Desde junho, as contas de luz estão na bandeira vermelha, patamar 2, o que acarreta cobrança extra de R$ 5 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos. Segundo a agência, a cobrança será mantida porque ainda são desfavoráveis as condições hidrológicas e por causa da queda no nível de armazenamento dos principais reservatórios do Sistema Interligado Nacional (SIN).

De acordo com a Aneel, apesar da queda do Preço de Liquidação de Diferenças (PLD), o cenário hidrológico foi desfavorável e não se vislumbrou melhora significativa do risco hidrológico (GSF, na sigla em inglês). “O GSF e o PLD são as duas variáveis que determinam a cor da bandeira a ser acionada”, informou a agência.
Conta com bandeira vermelha incluem cobrança extra de R$ 5 a cada 100 kWh consumidos - Arquivo/Agência Brasil

Nos quatro primeiros meses do ano, vigorou a bandeira verde, sem cobrança extra na conta de luz. Em maio, vigorou a bandeira tarifária amarela, em que há adicional de R$ 1 na conta de energia do consumidor a cada 100 kWh consumidos.

Em junho, quando decidiu adotar a bandeira vermelha no patamar 2, a Aneel disse que a decisão foi tomada em razão do fim do período chuvoso e da redução no volume dos reservatórios das usinas hidrelétricas.
Sistema

O sistema de bandeiras tarifárias foi criado para sinalizar aos consumidores os custos reais da geração de energia elétrica. A adoção de cada bandeira, nas cores verde (sem cobrança extra), amarela e vermelha (patamar 1 e 2), está relacionada aos custos da geração de energia elétrica. No patamar 1, o adicional nas contas de luz é de R$ 3 a cada 100 kWh; no 2, de R$ 5.
Dicas de economia

Para evitar aumento significativo nas contas, a Aneel faz algumas recomendaçoes aos consumidores, entre as quais de banhos mais rápidos para quem usa chuveiro elétrico, e optar por temperatura morna ou fria.

A agência sugere também a diminuição no uso do ar condicionado e que, quando o aparelho for usado, não se deixem portas e janelas abertas. Além disso, é preciso manter limpo o filtro do aparelho. Outra sugestão é que o consumidor fique atento ao tempo em que a porta da geladeira fica aberta e que nunca se coloquem alimentos quentes em seu interior.

Outras dicas são juntar as roupas para serem passadas de uma só vez e não deixar o ferro ligado por muito tempo e, em caso de longos períodos de ausência de casa, evitar que os aparelhos fiquem no sistema stand-by (em espera). Nesse caso, o mais indicado é retirá-los da tomada.



Dólar sobe mais de 1% e fecha a R$ 4,03, mas termina setembro em queda



O dólar terminou o mês de setembro em alta nesta sexta-feira (28), voltando a ficar acima de R$ 4, com o mercado financeiro atento a novas pesquisas sobre a corrida eleitoral e ao cenário no exterior.

A moeda norte-americana subiu 1,12%, vendida a R$ 4,0378. Veja mais cotações. Na máxima do dia, o dólar chegou a R$ 4,0498. Na mínima, caiu a R$ 3,9894.

No mês de setembro, o dólar acumulou queda de 0,84% e, na semana, perdeu 0,23%. Contudo, no acumulado do ano, ainda sobe 21,86%.

O dólar turismo fechou cotado a R$ 4,1998, sem considerar a cobrança de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).

Cenário externo e político

No exterior, o dólar subiu em dia de mais aversão ao risco, após o governo italiano ter divulgado um orçamento para 2019 com um déficit três vezes maior que sua meta anterior.

Destaque para o euro, que operou em queda e chegou abaixo de US$ 1,16 pela primeira vez em duas semanas, uma vez que alguns investidores consideraram o orçamento italiano como um desafio às exigências da União Europeia.

A formação da taxa Ptax (taxa média fixada pelo BC e usada em contratos de câmbio) de final de mês também influenciou a cotação.

O cenário eleitoral, por sua vez, trouxe cautela aos investidores, a pouco mais de uma semana do primeiro turno das eleições presidenciais.

Atuação do BC

O Banco Central concluiu na véspera a rolagem do vencimento de swap cambial, equivalente à venda futura de dólares, de outubro e, após o fechamento do mercado, já anunciou o início da rolagem de novembro a partir da próxima segunda-feira (1).

A oferta será de até 7,7 mil contratos que, se mantidos até o final do mês, rolarão integralmente o total de US$ 8,027 bilhões em swap que vencem no penúltimo mês de 2018.

Última sessão

Na véspera, a moeda norte-americana caiu 0,85%, vendida a R$ 3,9931. A última vez que o dólar fechou abaixo de R$ 4 foi em 20 de agosto, quando encerrou a sessão a R$ 3,9566.

O mercado de câmbio refletiu o fluxo de ingresso de recursos para o país e desmonte de posições compradas, com os investidores menos assustados quanto ao cenário eleitoral em sessão ainda marcada por melhora no cenário externo, depois que o Federal Reserve (BC dos EUA) sinalizou quatro altas de juros nos Estados Unidos até o final de 2019.

Variação do dólar em 2018
Diferença entre o dólar turismo e o comercial, considerando valor de fechamento
em R$dólar comercialdólar turismo (sem IOF)12/1210/119/130/18/221/22/313/322/33/412/423/43/514/523/54/613/622/63/712/723/71/810/821/830/811/0920/0933,253,53,7544,254,5

29/3
● dólar comercial: 3,3033

Fonte: Valor PRO

Novo patamar e perspectivas

A recente disparada do dólar aconteceu em meio a incertezas sobre o cenário eleitoral e também ao cenário externo mais turbulento, o que faz aumentar a procura por proteção em dólar.

Investidores passaram a comprar dólares em resposta a pesquisas que mostram intenção de voto mais baixa para candidatos considerados mais pró-mercado. Na avaliação do mercado, os candidatos que lideram as pesquisas de intenção de voto são menos comprometidos com determinados modelos de reformas econômicas considerados fundamentais para o ajuste das contas públicas.

Na prática, as flutuações atuais ocorrem principalmente conforme cresce a procura pelo dólar: se os investidores veem um futuro mais incerto ou arriscado, buscam comprar dólares como um investimento considerado seguro. E quanto mais interessados no dólar, mais caro ele fica.

Outro fator que pressiona o câmbio é a elevação das taxas básicas de juros nas economias avançadas como Estados Unidos e União Europeia, o que incentiva a retirada de dólares dos países emergentes. O mercado tem monitorado ainda a guerra comercial entre Estados Unidos e seus parceiros comerciais e a crise em países como Argentina e Turquia.

A projeção do mercado financeiro para a taxa de câmbio no fim de 2018 subiu de R$ 3,83 para R$ 3,90 por dólar, segundo o último boletim Focus do Banco Central. Para o fechamento de 2019, avançou de R$ 3,75 para R$ 3,80 por dólar.


Moto G5 e Moto G5S são atualizados para Android 8.1 Oreo no Brasil

Moto G5 e Moto G5S estão recebendo o Android 8.1 Oreo no Brasil, primeiro na versão para o varejo; quem comprou o celular na operadora (TIM, Vivo e Claro) será contemplado depois. O Moto G5 Plus e Moto G5S Plus também vêm sendo atualizados no país. Nenhum deles vai receber o Android 9 Pie.
site oficial da Motorola Brasil diz que o Moto G5 e Moto G5S serão atualizados primeiro para quem tem a versão de varejo, e depois para quem comprou na operadora.
O status do Moto G5 e Moto G5S na versão retail é: “Android 8.1 (Oreo) com atualização iniciada em setembro de 2018”. Enquanto isso, o update está “pendente de adaptações e testes” para a TIM, Claro e Vivo.
Ambos os aparelhos contam com páginas de suporte sobre o update. A Motorola recomenda fazer a instalação com no mínimo 50% de bateria e conectado a uma rede Wi-Fi.
Estas são as novidades, idênticas para o Moto G5 e G5S:
  • Android™ 8.1 Oreo™: diversas melhorias, como novos recursos multitarefas, controles mais eficientes de notificações, funções melhoradas para a economia de dados e da bateria, nova interface do menu da bateria e melhorias no Bluetooth
  • Segurança Android: inclui as atualizações de correções de segurança Android até 1º de agosto de 2018
  • Melhorias de estabilidade: inclui alterações que corrigem erros e otimizam a estabilidade de seu telefone
Na última sexta-feira (21), donos do Moto G5S receberam uma notificação dizendo que “o Android Oreo 8.1 está chegando”. No entanto, relatos sobre a atualização só começaram hoje (28).

Motorola ainda está liberando Android Oreo

A Motorola quase terminou de atualizar seus dispositivos para o Oreo. Falta só o Moto G4 Plus, que receberá o update após “erros em nossos materiais de marketing”, nos quais ela prometeu “versões do sistema operacional Android N e O”. Ela está convidando usuários para o soak test através da MFN (Motorola Feedback Network).
A linha Moto Z já foi atualizada para o Oreo, assim como o Moto X4. Esta é a lista completa:
Vale lembrar que a linha Moto G5 (G5, G5 Plus, G5S, G5S Plus) não será atualizada para o Android 9 PieSerão contemplados apenas o Moto Z3/Z3 Play; Moto Z2 Play/Z2 Force; Moto X4; e Moto G6/G6 Play/G6 Plus.


Fux concede liminar suspendendo entrevista de Lula

O ministro do Supremo Tribunal Federal Luiz Fux concedeu uma liminar suspendendo a divulgação de entrevista com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na noite desta sexta-feira (28). O pedido, feito pela Folha de S.Paulo, tinha sido deferido por Ricardo Lewandowski, do mesmo STF, hoje pela manhã.
A liminar pedindo a suspensão da entrevista foi protocolada pelo Partido Novo. Fux determinou que Lula "se abstenha de realizar entrevista ou declaração a qualquer meio de comunicação, seja a imprensa ou outro veículo destinado à transmissão de informação para o público em geral".
"Determino, ainda, caso qualquer entrevista ou declaração já tenha sido realizada por parte do aludido requerido, a proibição da divulgação do seu conteúdo por qualquer forma, sob pena da configuração de crime de desobediência (art. 536, § 3º, do novo Código de Processo Civil e art. 330 do Código Penal)", diz a decisão.
A divulgação e realização de entrevistas está suspensa até que a matéria seja apreciada em plenário, de acordo com a determinação do ministro Luiz Fux.
Liberdade de imprensa
Ao deferir o pedido de entrevista, pela manhã, Ricardo Lewandowski  citou que o Plenário do STF garantiu “a ‘plena’ liberdade de imprensa como categoria jurídica proibitiva de qualquer tipo de censura prévia”.
“Não há como se chegar a outra conclusão, senão a de que a decisão da 12ª Vara Federal de Curitiba, ao censurar a imprensa e negar ao preso o direito de contato com o mundo exterior, sob o fundamento de que não há previsão constitucional ou legal que embase direito do preso à concessão de entrevistas ou similares violou frontalmente o que já foi decidido pela Corte Corte na ADPF 130/DF”, disse.
No pedido de liminar para suspender a decisão, o partido Novo solicitou que a entrevista não fosse divulgada antes das eleições, destacando que a medida não feriria a liberdade de imprensa, mas garantiria a segurança do processo eleitoral. O Novo alega que o Partido dos Trabalhadores se vale da imagem de Lula como cabo eleitoral e que a divulgação de entrevista poderia contribuir para confundir a opinião pública.
"Não se trata apenas do fato de que ele está em cárcere. Outras entrevistas já se deram em cárcere. É o fato de ele ser ex-candidato em cárcere no seguinte contexto. Considerando que: i) faltam menos de 10 (dez) dias para o processo eleitoral; ii) o entrevistado sequer é candidato [embora o pedido tenha sido feito quando ainda era]; iii) o entrevistado é ex-candidato e renunciou a esse direito; iv) a coligação do excandidato e atualmente apoiada por ele insistiu, por longo tempo, em apresenta-lo como se candidato fosse [ignorando decisões do eg. TSE], razão pela qual vem sofrendo derrotas justamente nesse sentido – incluindo avaliação por descumprimento de ordens judiciais; v) a vontade do eleitor é formada pela informação que recebe e a legitimidade do processo eleitoral é impactada diretamente pela medida de sua real liberdade; vi) a entrevista tem potencial para tornar ilegítimo o pleito e poderá ser realizada a qualquer tempo, assim que encerrado o processo eleitoral, sem qualquer prejuízo à liberdade de imprensa", afirma o Novo.
Na liminar que suspendeu a decisão de Lewandowski, Fux concordou com os argumentos do Novo e disse que "há elevado risco de que a divulgação de entrevista com o requerido Luiz Inácio Lula da Silva, que teve seu registro de candidatura indeferido, cause desinformação na véspera do sufrágio, considerando a proximidade do primeiro turno das eleições presidenciais".
Clique aqui para ler o pedido de liminar do Partido Novo.
Clique aqui para ler a decisão de Luiz Fux.
SL 1178


Rodada de conversa com agricultores

(Gabriela Hintz)
A Secretaria de Agricultura de São João da Barra prossegue com as ações desenvolvidas a partir do programa Cidade Empreendedora, em parceria com o Sebrae. Desta vez com a consultoria do projeto Elos, o Núcleo de Empreendedorismo e Agricultura Familiar se reuniu, na quinta-feira, 27, com agricultores e produtores de leite para uma rodada de conversa, na subprefeitura, em Sabonete, quinto distrito do município.
Em pauta a produção local, cadastro e formalização dos agricultores e chamadas públicas para a merenda escolar. “Esse encontro foi importante para conversar com o produtor, ouvir suas demandas e também passar para eles nossas propostas e ações visando diversificar a produção do município e a merenda escolar”, pontuou Osvaldo Barreto. 
Como destaque do encontro, a participação do segmento da pecuária de leite, que contou com a explanação do médico veterinário capixaba Leandro Pinheiro, trazendo sua experiência na formação de uma associação de produtores leiteiros no município de Muniz Feire. “A Secretaria de Agricultura já se colocou à disposição para apoiar a organização da associação de produtores de leite de São João da Barra objetivando a inclusão dos mesmos na venda para a merenda escolar”, completou o secretário.
De acordo com a gerente de projetos da Secretaria de Agricultura, Marcela Toledo, a reunião foi importante para aproximar os produtores, fortalecer a cadeia produtiva do leite e demonstrar o apoio que a secretaria pode ofertar para melhorar a renda e a produção deste segmento. “O ponto positivo desse encontro foi o interesse dos produtores em se associar, esse primeiro passo é fundamental para as ações futuras”, relatou Marcela.
Agricultores de diversas localidades participaram da conversa e puderam colaborar com sugestões para o trabalho da Secretaria. “Esse diálogo é muito importante. Assim é possível saber das dificuldades de ambos os lados e trabalhar juntos para melhorar o desenvolvimento da produção agrícola e da pecuária em São João da Barra”, falou o produtor Francisco Amaral, da localidade de Água Preta.
No encontro estavam presentes, também, a consultora do Sebrae, Lícia Malavota; o  agente de Desenvolvimento, Luciano Barreto; a gerente de projetos da Secretaria de Agricultura, Marcela Toledo; a responsável técnica pelo setor de Nutrição da Secretaria de Educação e Cultura (semec), Jaqueline Paes; a nutricionista da Semec, Natasha Araújo e o representante da empresa Metas, Diego Andrade, responsável pelo software do cadastro únicos dos agricultores.


Dia D da Vacinação Antirrábica neste sábado

Acontece neste Sábado, 29 de setembro, o Dia D da Vacinação Antirrábica em São João da Barra. Proprietários de cães e gatos deverão levar seus animais em um dos postos fixos de vacinação – sede do município, Atafona, Grussaí, Cajueiro, Degredo, Barcelos, Sabonete, Mato Escuro e Açu – das 9h às 17h.
O Dia D fecha Campanha Antirrábica em São João da Barra, promovida pelo Núcleo de Controle de Zoonoses e que teve início no dia 28 de agosto, com a vacinação itinerante. O trabalho foi realizado em 18 localidades onde não terão postos fixos e teve um resultado considerado expressivo, com 1.107 imunizações.
De acordo com o diretor do NCZ, Marcos Machado, a meta é vacinar um numero superior a cinco mil animais, somando o trabalho itinerante e nos postos físicos neste sábado.
– Reforçamos a importância da vacinação e elaboramos uma estrutura de trabalho visando proporcionar comodidade aos proprietários para que nenhum animal deixe de se imunizado. Assim, acreditamos que alcançarmos a meta – destacou.

POSTOS FIXOS (29/09)

SJB
- Núcleo de Controle de Zoonoses;
- Rotary;
- DOFEC;
- Posto de Saúde nova SJB

ATAFONA
- Secretaria de Pesca;
- Aeródromo (Carrapicho);

GRUSSAÍ
- Posto de saúde Grussaí;
- Depósito Gersen Gás;
- Quadra da Creche (Lagoa);
- Escola Municipal Amaro S. Paes;

CAJUEIRO
Costurart;

DEGREDO
- Escola Estadual Olímpio Brito;

BARCELOS
- P. U. Barcelos;
- Praça Roças Velhas ( Frente ao Estádio);

SABONETE
- Posto de Saúde;

MATO ESCURO
- Posto de Saúde;

AÇÚ
- Escola Municipal Chrisanto H. de Souza

terça-feira, 3 de abril de 2018

Câmara requer informações sobre empregabilidade no Porto

A empregabilidade no Complexo Portuário do Açu foi destaque na sessão da Câmara de São João da Barra nesta terça (3). Por meio de requerimento assinado por todos os vereadores, o Legislativo solicita que a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Tecnológico informe a quantidade de funções absorvidas pelas empresas que prestam serviço ao porto e qual é o relacionamento do setor com a empresa Andrade Gutierrez – que vai construir a termelétrica – sobre a mão de obra local e suas contratações.

Segundo os parlamentares, é constante o número de reclamações de sanjoanenses que não conseguem vaga de trabalho no porto, e o objetivo do requerimento é tentar reverter esse quadro. O presidente da Casa, Aluizio Siqueira (PP), chamou atenção para as informações fornecidas, esta semana, pela Andrade Gutierrez ao Balcão de Empregos do município. “Consta aqui que ela já contratou 75 pessoas, sendo que desses 75, apenas 26 são moradores de São João da Barra. Isso é muito pouco; precisamos buscar mais espaços para os sanjoanenses”, observou Aluizio. Outros 10 munícipes estão em processo de contratação pela empresa. Os demais vereadores também acharam baixo o índice. “Esse porto só está preocupado com o lucro”, disse Gerson Crispim (Gersinho/SD).

Demais matérias aprovadas – Ronaldo Gomes (PROS) solicitou à Secretaria de Transportes, a colocação de asfalto na rotatória próxima ao trevo do Cuíca (Atafona). Ele também solicitou a reposição de lâmpadas queimadas nos postes da Cehab e os que ficam em frente ao comércio do senhor Dinei, na Beira Rio (Atafona). Entre as indicações aprovadas e destinadas ao Executivo, Gerson Crispim (Gersinho/SD) propôs a construção de um campo futebol society em Palacete e de um muro ao lado da praça de Cazumbá.

Franquis Arêas (PR) sugeriu a colocação de guardas municipais e cones na BR-356 em Degredo e nas proximidades da escola ali existente. Franquis também pediu a permanência de guardas para realizar a ronda em todo o município. Alex Firme (PP) propôs a construção de um abrigo (canil) para os animais de rua. Ele também solicitou a realização de serviços de urbanização completa, drenagem e calçamento nas ruas de Chapéu do Sol.

Por fim, o plenário aprovou o projeto de lei nº 016/2018, de autoria do Executivo, que altera a redação do artigo 1º da Lei Municipal nº 513/2018 (sobre a revisão geral anual para os servidores públicos municipais efetivos) para incluir na legislação, os servidores públicos admitidos antes da promulgação da Constituição Federal de 1988 e que permanecem vinculados ao município. Com isso, esses profissionais também terão o direito de receber os 5% de aumento em seus salários.

Fonte: CMSJB


segunda-feira, 2 de abril de 2018

Dia Mundial da Conscientização do Autismo

A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de São João da Barra realizou nesta segunda-feira, 2, uma caminhada na avenida Joaquim Thomaz de Aquino Filho e rua Barão de Barcelos com os alunos da instituição para marcar o Dia Mundial da Conscientização do Autismo.

A data foi criada pela Organização das Nações Unidas (ONU) e tem por finalidade alertar a sociedade sobre a doença, visando a quebra de preconceitos em torno das pessoas que convivem com o autismo. De acordo com pesquisa da Organização Mundial da Saúde (OMS) de 2017, o autismo afeta uma a cada 160 crianças.

Simbolizado pela cor azul, o autismo pertence a um grupo de doenças do desenvolvimento cerebral, também conhecido como Transtornos de Espectro Autista (TEA). Apresenta-se de forma única para cada pessoa, e existem vários níveis diferentes.

– Queremos que momentos como este produzam nas pessoas uma reflexão sobre o autismo e a necessidade de acolher cada um dentro de suas especificidades – disse a presidente da Apae, Gerlane Gonçalves.

Dos 112 alunos atendidos hoje pela Apae, 12 possuem o transtorno de espectro autista. Diariamente eles recebem atenção em trabalhos de escolarização, oficinas pedagógicas, além de atendimento ambulatorial. O transtorno no desenvolvimento do cérebro afeta cerca de 70 milhões de pessoas em todo o mundo.

Fonte: Secom - SJB



Combate ao mosquito Aedes aegypti

O combate aos focos do mosquito Aedes aegypti – transmissor da zika vírus, chikungunya, dengue e febre amarela – foi intensificado pelo Núcleo de Controle de Zoonoses (NCZ) de São João da Barra, com ações em todo município.

O trabalho é feito com tratamento perifocal, fumacê, visitas domiciliares, recolhimento de pneus em borracharias, assim como o tratamento de bueiros e aterramento de alagados, mutirões nos bairros e palestras nas escolas municipais.

Segundo o diretor do NCZ, Marcos Machado, a participação social é fundamental para vencer a luta contra o mosquito da dengue.

“Precisamos do apoio da população neste trabalho de combate aos focos do mosquito. Se cada um fizer a sua parte cuidando do seu quintal, os resultados serão mais eficazes. Essa é uma ação em que todos devem estar comprometidos”, salientou.

Os cuidados devem começar, orienta Marcos, nas residências, não deixando água parada, destruindo os locais onde o mosquito nasce e se desenvolve, evitando a sua procriação, como latas, embalagens, copos plásticos, tampinhas de refrigerantes, pneus velhos, vasinhos de plantas, jarros de flores, garrafas, caixas d´água, tambores, latões, cisternas, sacos plásticos e lixeiras, entre outros.

Nesta terça-feira, 03, a equipe do NCZ vai realizar uma ação em Atafona, nas proximidades da Igreja da Penha

Fonte: Secom - SJB



sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Investigação revela exército de perfis falsos usados para influenciar eleições no Brasil

São sete da manhã e um rapaz de 18 anos liga o computador em sua casa em Vitória, no Espírito Santo, e dá início à sua rotina de trabalho. Atualiza o status de um dos perfis que mantém no Facebook: "Alguém tem um filme para recomendar?", pergunta. Abre outro perfil na mesma rede. "Só queria dormir a tarde inteira", escreve. Um terceiro perfil: "Estou com muita fome". Ele intercala esses textos com outros em que apoia políticos brasileiros.

Esses perfis não tinham sua foto ou nome verdadeiros, assim como os outros 17 que ele disse controlar no Facebook e no Twitter em troca de R$ 1,2 mil por mês. Eram, segundo afirma, perfis falsos com fotos roubadas, nomes e cotidianos inventados. O jovem relatou à BBC Brasil que esses perfis foram usados ativamente para influenciar o debate político durante as eleições de 2014.

As evidências reunidas por uma investigação da BBC Brasil ao longo de três meses sugerem que uma espécie de exército virtual de fakes foi usado por uma empresa com base no Rio de Janeiro para manipular a opinião pública, principalmente, no pleito de 2014.

A estratégia de manipulação eleitoral e da opinião pública nas redes sociais seria similar à usada por russos nas eleições americanas, e já existiria no Brasil ao menos desde 2012. A reportagem identificou também um caso recente, ativo até novembro de 2017, de suposto uso da estratégia para beneficiar uma deputada federal do Rio.

A reportagem entrevistou quatro pessoas que dizem ser ex-funcionários da empresa, reuniu vasto material com o histórico da atividade online de mais de 100 supostos fakes e identificou 13 políticos que teriam se beneficiado da atividade. Não há evidências de que os políticos soubessem que perfis falsos estavam sendo usados.

Com ajuda de especialistas, a BBC Brasil identificou como os perfis se interligavam e seus padrões típicos de comportamento. Seriam o que pesquisadores começam a identificar agora como ciborgues, uma evolução dos já conhecidos robôs ou bots, uma mistura entre pessoas reais e "máquinas" com rastros de atividade mais difíceis de serem detectados por computador devido ao comportamento mais parecido com o de humanos.

Parte desses perfis já vinha sendo pesquisada pelo Laboratório de Estudos sobre Imagem e Cibercultura (Labic) da Universidade Federal do Espírito Santo, coordenado pelo pesquisador Fábio Malini. "Os ciborgues ou personas geram cortinas de fumaça, orientando discussões para determinados temas, atacando adversários políticos e criando rumores, com clima de 'já ganhou' ou 'já perdeu'", afirma ele. Exploram o chamado "comportamento de manada".

"Ou vencíamos pelo volume, já que a nossa quantidade de posts era muito maior do que o público em geral conseguia contra-argumentar, ou conseguíamos estimular pessoas reais, militâncias, a comprarem nossa briga. Criávamos uma noção de maioria", diz um dos ex-funcionários entrevistados.

Esta reportagem é a primeira da série Democracia Ciborgue, em que a BBC Brasil mergulha no universo dos fakes mercenários, que teriam sido usados por pelo menos uma empresa, mas que podem ser apenas a ponta do iceberg de um fenômeno que não preocupa apenas o Brasil, mas também o mundo.

Segundo Pablo Ortellado, professor do curso de Gestão de Políticas Públicas da Universidade de São Paulo (USP), a suspeita de que esse seria um serviço oferecido normalmente para candidatos e grupos políticos "faz pensar que a prática deva já estar bem disseminada nesse ambiente político polarizado e que vai ser bastante explorada nas eleições de 2018, que, ao que tudo indica, serão ainda mais polarizadas que as últimas de 2014".

Philip Howard, professor do Instituto de Internet da Oxford, vê os ciborgues como "um perigo para a democracia". "Democracias funcionam bem quando há informação correta circulando nas redes sociais", afirma, colocando os fakes ao lado do problema da disseminação das fake news, ou seja, notícias falsas.

Exército fake

Em 2012, segundo os entrevistados pela BBC Brasil, o empresário carioca Eduardo Trevisan, proprietário da Facemedia, registrada como Face Comunicação On Line Ltda, teria começado a mobilizar um exército de perfis falsos, contratando até 40 pessoas espalhadas pelo Brasil que administrariam as contas para, sobretudo, atuar em campanhas políticas.

Inicialmente, a BBC Brasil entrou em contato com Trevisan por telefone. Ele negou que sua empresa crie perfis falsos. "A gente nunca criou perfil falso. Não é esse nosso trabalho. Nós fazemos monitoramento e rastreamento de redes sociais", afirmou, pedindo que a reportagem enviasse perguntas por email.

"Os serviços em campanhas eleitorais prestados pela Facemedia estão descritos e registrados pelo TSE, de forma transparente. Por questões éticas e contratuais, a Facemedia não repassa informações de clientes privados", respondeu, posteriormente, por email (leia resposta completa na parte final desta reportagem).

Image captionEmpresário criou a página Lei Seca RJ, que alerta motoristas para locais de blitzes no Rio | Reprodução/Facebook

Trevisan, cujo perfil pessoal no Twitter carrega a descrição "Brasil, Pátria do Drible", tem quase um milhão de seguidores. Ele ganhou projeção com sua página Lei Seca RJ, criada em 2009. Seguida por 1,2 milhão de usuários, ela alerta motoristas para locais de blitze no Rio.

Um ex-funcionário disse ter sido contratado justamente achando que trabalharia administrando o Twitter do Lei Seca RJ.

"Era um trabalho bem sigiloso. Não sabia que trabalharia com perfis falsos", diz.

Quando descobriu, conta, passou a esconder de amigos e familiares o que fazia. Hoje, afirma, tem medo de falar, porque trabalhou "para gente muito importante" e teria assinado um contrato de sigilo com a empresa.
Políticos

Os depoimentos dos entrevistados e os temas dos tuítes e publicações no Facebook levam aos nomes de 13 políticos que teriam sido beneficiados pelo serviço, entre eles os senadores Aécio Neves (PSDB-MG) e Renan Calheiros (PMDB-AL) e o atual presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE).

A atuação era variada. Para Aécio, perfis supostamente falsos publicaram, por exemplo, mensagens elogiosas ao candidato durante debate com Dilma Rousseff (PT) na campanha de 2014: "Aécio é o mais bem preparado". No caso de Renan, criaram uma hashtag para defendê-lo durante protestos em 2013 que pediam o impeachment do então presidente do Senado: #MexeuComRenanMexeuComigo. Foi apoiada por usuários como "Patrick Santino", que usa a imagem de um ator grego no perfil. Já sobre Eunício, divulgaram voto durante as eleições: "Vou com 15. Melhores propostas".

Não há evidências de que os políticos soubessem que o uso de perfis falsos fazia parte de um serviço de consultoria em redes sociais (veja ao final desta reportagem a resposta completa de cada um)

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Image captionFoto do ator e cantor grego Sakis Rouvas, usada para ilustrar perfil falso | Foto: Reprodução/Instagram

Monitorados por Skype

Os funcionários, segundo os relatos, ficavam em diferentes Estados do país, trabalhando de casa e monitorados por Skype. Quando se levantava para ir ao banheiro, conta um deles, era preciso explicar sua ausência pelo Skype a um coordenador.

Jovens e na maioria das vezes sem curso superior, eles contam que eram chamados na empresa de "ativadores". Recebiam de profissionais mais graduados uma "ficha técnica" e perfis prontos do que chamavam de "personas". Continham foto, nome e história de cada um - de onde era, se era casado, se tinha filhos e quais eram seus gostos, hobbies e profissão.

Eles teriam de "ativar" o perfil, alimentando e dando prosseguimento à narrativa criada, mesclando publicações sobre sua rotina com postagens apoiando políticos.

Segundo as diferentes entrevistas, um controlador de perfis falsos recebia por volta de R$ 800 mensais quando começava a trabalhar na empresa. Nas eleições de 2014, o salário teria subido para até R$ 2 mil.

Fotos eram retiradas de bancos de imagens, roubadas de sites de notícias e de perfis existentes. A BBC Brasil identificou, por meio de pesquisa em ferramenta de busca, a origem de várias dessas fotos. Uma delas pertencia a uma jovem vítima de assassinato cuja foto havia sido publicada em um veículo de imprensa local. Algumas imagens eram manipuladas digitalmente, o que dificulta o rastreamento de sua origem.

A empresa, segundo os entrevistados, fornecia chips de celular para autenticar perfis em redes sociais.

A parte "robô", ou semiautomatizada, não era sofisticada. Os funcionários contam e fica claro nas postagens que eram usadas plataformas que possibilitam a administração de vários perfis ao mesmo tempo, como o Hootsuite (que cobra R$ 258 mensais para que três usuários operem 20 perfis em redes sociais ao mesmo tempo).

Agendavam publicações que falavam sobre a rotina do personagem e outras mais genéricas, como "bom dia", "vou almoçar", "boa noite", "estou cansado", "dia exaustivo", entre outras postagens semelhantes, para dar a impressão de que se tratavam de perfis reais.

Image captionPerfil usa foto de mulher que apareceu no noticiário; ela escreve sobre seu cotidiano e comenta sobre político Paulo Hartung | Foto: Reprodução/Twitter

Alguns "ativadores" passavam o dia fazendo isso, relatam. Outros se dedicavam a programar publicações para a semana inteira e ficavam de olho para eventuais interações que tinham de fazer, como responder a mensagens de perfis reais.

Amigos reais

Perfis falsos criam "reputação" e parecem ser legítimos adicionando pessoas aleatórias com o objetivo de colecionar amigos reais.

Pessoas reais chegam a dar parabéns a fakes em aniversários mesmo sem conhecê-los e fazem comentários elogiosos a fotos de perfil, ajudando a criar a sensação de que são verdadeiros. É desta forma que, inadvertidamente, usuários reais contribuem para a criação de "reputação".

A reportagem detectou que os perfis identificados como fakes também interagem entre si - encontrou até um "casal" de perfis falsos.

Uma ex-funcionária ouvida pela BBC Brasil afirma que, na época, não sabia que trabalhava administrando perfis falsos. Segundo ela, quando trabalhou na empresa, de 2012 a 2014, tinha acesso a perfis no Facebook de pessoas que eram "apoiadores" de candidatos, como se eles tivessem cedido o acesso. Ela conta que seu trabalho era monitorar o que era publicado sobre candidatos e fazer comentários que os apoiassem por meio dos perfis que controlava.

"Eu já desconfiei que não eram de pessoas reais, mas não sei se eram. Eu não tinha muita malícia na época. Como eu só tinha acesso a publicar determinados conteúdos, eu não verificava muito os perfis."

Outro ex-funcionário define o trabalho, do qual chega a ter até um pouco de orgulho: "Você é só uma pessoa mascarada atrás de um perfil. A resposta é forte, o retorno é bom. Você sente que realmente faz diferença na campanha".

Quando um fake era "desmascarado" por outros usuários ou desativados pelas plataformas, logo havia outro para substituí-lo, que vinha de um grande banco de perfis falsos criado e mantido pela empresa, também de acordo com os entrevistados.

Muitos dos perfis reunidos pela BBC Brasil foram abandonados. Cerca de um quinto dos identificados no Twitter publicaram mensagens pela última vez entre os dias 24 e 27 de outubro de 2014. O segundo turno das eleições daquele ano aconteceu no dia 26 de outubro.

Um dos ex-funcionários entrevistados diz que os perfis identificados como falsos pela BBC Brasil representam apenas uma pequena parcela do fenômeno, já que a empresa teria criado "milhares" de perfis como estes. Ele diz também que havia empresas concorrentes fazendo o mesmo no Brasil.

Um tipo de atuação comum, segundo os entrevistados, era deixar comentários em sites de notícias e também votar em enquetes, como as do site do Senado, tomando até o cuidado de deixar a opinião oposta ultrapassar um pouco antes de vencê-la, para que "tudo parecesse muito orgânico e natural", nas palavras de um ex-funcionário. "Às vezes, dez pessoas ficavam votando em determinada opção durante oito horas do dia."

Como identificar um fake?

Para identificar os perfis supostamente falsos, com a ajuda de especialistas, a reportagem levou em consideração elementos como: o uso de fotos comprovadamente falsas, modificadas ou roubadas; a publicação de mensagens a partir da mesma ferramenta externa às redes sociais; o padrão de mensagens que simulam rotina, com repetição de palavras; a participação ativa nas redes durante debates e "tuitaços"; atividade apenas durante o horário "útil" do dia; as recorrentes mensagens de apoio ou de agressão a candidatos específicos e, por fim, vários casos de datas coincidentes de criação, ativação e desativação dos perfis.

Image captionPerfis usavam fotos roubadas para escrever a favor de candidatos | Foto: Reprodução/Facebook
Malini, o acadêmico do Espírito Santo cujo grupo que coordena já pesquisava parte dos supostos fakes identificados pela BBC Brasil, elaborou o que especialistas chamam de "grafo", um desenho gerado por computador que espelha o histórico da interação e atividade dos perfis no Twitter. Isso inclui os retuítes, menções a outros usuários e comentários em tuítes feitos pelos usuários com características falsas.

O resultado mostra os perfis com os quais estabeleceram o maior número de interações, gerando uma espécie de "nuvem".

Nela, aparecem os políticos mencionados pelos ex-funcionários como clientes da empresa, a página Lei Seca RJ e, no centro, Eduardo Trevisan, "inflacionado" pela atividade dos supostos fakes. "Ele é uma figura central, que recebe menções e retuítes de grande parte dos usuários analisados", afirma Malini. "Essa alta centralidade salta aos olhos e aponta quem deve ser investigado", acrescenta.
Pagamentos

Por meio da análise de pagamentos legais disponíveis ao público em prestações de contas, a BBC Brasil conseguiu mostrar a ligação da Facemedia de Trevisan com três políticos e um partido, o PSDB. A empresa recebeu também, neste caso, segundo dados de um relatório disponível no site da Câmara, transferência de uma agência de propaganda e marketing. No total, os pagamentos feitos pelas cinco partes somam R$ 1,2 milhão. Veja em detalhes abaixo, e um resumo da resposta de cada um:

- A empresa de Trevisan recebeu R$ 360 mil do Comitê Nacional do PSDB para a campanha presidencial em 2014 pela "prestação de serviços de marketing e comunicação digital", segundo consta da prestação de contas do partido. O PSDB disse que a empresa foi contratada para prestação de serviços de melhoria e monitoramento de movimento e tendências nas redes sociais.

- A Facemedia também recebeu R$ 200 mil de Renan Filho (PMDB) em 2014, então candidato ao governo de Alagoas, segundo a prestação de contas. A assessoria do político, que venceu a eleição, disse que a empresa foi contratada para prestação de serviços de monitoramento e análise digital das redes sociais durante a campanha e acompanhamento do interesse do eleitor. "Em nenhuma hipótese houve contratação ou realização de pagamento para a criação de perfis falsos ou divulgações online por estes em favor da campanha."

- Recebeu também R$ 30 mil do ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Vital do Rêgo Filho (PMDB), então candidato ao governo da Paraíba, de acordo com os dados públicos. Sua assessoria afirmou que o candidato "utilizou serviços de mídias sociais para divulgação regular de sua campanha, desconhecendo qualquer criação de perfis falsos por parte da empresa contratada".

- Os mais recentes pagamentos encontrados pela reportagem vieram da cota parlamentar do gabinete da deputada federal Laura Carneiro (PMDB-RJ). A empresa de Trevisan recebeu R$ 14 mil por mês por "divulgação da atividade parlamentar por meio da diagramação, manutenção e alimentação das suas mídias sociais (Instagram, Facebook, Twitter)" de fevereiro a setembro deste ano, totalizando R$ 112 mil. As datas coincidem com o período de atividade de um grupo de perfis supostamente falsos identificados pela BBC Brasil atuando na página da deputada. A assessoria dela disse que "os serviços prestados eram de monitoramento e de divulgação do mandato parlamentar nas mídias sociais. A deputada não tem qualquer conhecimento sobre o uso antiético de perfis falsos em qualquer prestação de serviços realizados por essa empresa".

- Entre março de 2014 e julho de 2014, a Facemedia recebeu R$ 504 mil da agência PVR Propaganda e Marketing Ltda, de Paulo Vasconcelos, marqueteiro da campanha de Aécio à Presidência. O pagamento da PVR foi descrito em um relatório produzido pelo Conselho de Controle de Atividades Financeira (Coaf) em julho deste ano. Não é possível determinar no registro do pagamento quais dos clientes da PVR teriam se beneficiado dos serviços da Facemedia. A agência tinha entre seus clientes o PSDB e a J&F, controladora da JBS. A JBS foi identificada como tema em diferentes tuítes, entre os reunidos pela BBC Brasil, e também citada por um ex-funcionário como cliente da Facemedia. A J&F não quis comentar. A PVR disse que contratou a Facemedia "para prestação de serviços de monitoramento e análise do ambiente político". A empresa nega que tenha feito algum pagamento para divulgação da candidatura de Aécio Neves.
Outros políticos

Um ex-funcionário de Trevisan cita uma longa lista com outros políticos que também teriam contratado o serviço. Todos eles foram citados em algum momento pelos perfis falsos identificados pela BBC Brasil. São eles: o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), os senadores Renan Calheiros (PMDB-AL), Eduardo Braga (PMDB-AM) e Ricardo Ferraço (PSDB-ES), o governador do Espírito Santo, Paulo Hartung (PMDB), o ex-prefeito de Vila Velha (ES) Rodney Miranda (DEM), o secretário municipal de Urbanismo, Infraestrutura e Habitação do Rio de Janeiro, Índio da Costa (PSD), o ex-senador Gim Argello (DF) e o ex-deputado estadual Felipe Peixoto (PSB-RJ).

Eles negaram ter conhecimento sobre qualquer uso de perfis falsos nesse contexto. Não há nenhum indício de que os citados acima sabiam da existência e do uso de fakes nas suas redes sociais como parte de um serviço para favorecê-los.

Wallim Vasconcelos, que foi candidato à presidência do Flamengo, também é citado pelo ex-funcionário e também foi tema de tuítes de perfis considerados falsos. Ele encaminhou à BBC Brasil a resposta de sua assessoria à época das eleições. Disseram que a Facemedia fazia apenas "monitoramento" das redes.

O único citado com quem a reportagem não conseguiu contato foi Gim Argello, hoje preso da operação Lava Jato. Seu advogado, Marcelo Bessa, disse que não tem procuração para responder sobre esse assunto. (leia a íntegra da resposta de todos os citados no final do texto)

Image captionPerfil falso que apoia Paulo Hartung no Twitter usa foto de banco de imagens | Imagem: Twitter/Reprodução
Responsabilidade

Perfis falsos foram usados para tentar influenciar as eleições americanas no ano passado e representam uma crescente preocupação no mundo ao lado das notícias falsas, facilmente compartilhadas nas redes, e também do papel da propaganda direcionada nas redes sociais, mecanismo que teria sido usado por russos nas eleições dos EUA. O Facebook declarou ter desativado 470 contas e páginas "provavelmente operadas da Rússia", que publicavam conteúdo que visava causar maior divisão nacional em tópicos como direitos LGBT e questões raciais e de imigração.

O reflexo desta tendência no Brasil levou especialistas ouvidos pela BBC Brasil a reforçar um apelo por ação mais rigorosa tanto do Twitter quanto do Facebook.

Para Pablo Ortellado, professor da USP, deve haver maior transparência e regulação nas plataformas como o Facebook, que deve começar a agir "como se fosse um Estado, já que virou a nova esfera pública" onde acontecem discussões e interações entre as pessoas. Ou seja, para ele, a plataforma deve começar a se autorregular, se não quiser ser regulada pelos Estados, um cenário também não livre de polêmicas.

O Twitter informa que "a falsa identidade é uma violação" de suas regras. "As contas do Twitter que representem outra pessoa de maneira confusa ou enganosa poderão ser permanentemente suspensas de acordo com a Política para Falsa Identidade do Twitter. Se a atividade automatizada de uma conta violar as Regras do Twitter ou as Regras de Automação, o Twitter pode tomar medidas em relação à conta, incluindo a suspensão da conta."

Já o Facebook informa que suas políticas "não permitem perfis falsos". "Estamos o tempo todo aperfeiçoando nossos sistemas para detectar e remover essas contas e todo o conteúdo relacionado a elas. Estamos eliminando contas falsas em todo o mundo e cooperando com autoridades eleitorais sobre temas relacionados à segurança online, e esperamos tomar medidas também no Brasil antes das eleições de 2018."

A empresa também afirma que não pode comentar os perfis citados na reportagem porque não teve acesso a eles antes da publicação deste texto. "Entretanto, vale ressaltar que durante as eleições de 2014 mais de 90 milhões de pessoas no Brasil usaram a plataforma para debater temas relevantes para elas e engajar com seus candidatos."
Roteiro

O padrão de criação de uma conta falsa no Twitter e no Facebook, segundo os entrevistados, seguia um roteiro: durante um ou dois meses, determinado perfil apenas tuitava sobre sua rotina, publicando tuítes muito parecidos para "martelar" ou "fixar" seu cotidiano por meio das publicações agendadas, com características e hobbies que são muito claros: há a mãe que gosta de assistir a séries e faz pilates, a universitária que fala sobre seus estudos, o síndico de prédio que gosta de futebol.

De repente, uma aglomeração de tuítes a favor de determinado político interrompe esse padrão - e aí entram de fato seres humanos, assistindo aos debates na televisão e fazendo comentários ou promovendo "tuitaços" a favor de seu candidato.

Um dos tuitaços de que participaram os usuários fakes foi para que o perfil Lei Seca RJ fosse nomeado ao prêmio Shorty, que reconhece pessoas e organizações que produzam bom conteúdo nas redes sociais.

Em alguns casos, o histórico revela "reciclagem" de perfis, apoiando diferentes candidatos ao longo do tempo. Em 5 de outubro de 2014, "Fernanda Lucci", que usa no perfil uma foto de Petra Mattar, cantora e filha do ator Maurício Mattar, escreve ter dado seu voto para Renan Filho (PMDB), então candidato ao governo de Alagoas.

Image captionPerfil falso conta ter votado em Renan Filho | Imagem: Twitter/Reprodução
Já no dia 24 de outubro, escreve: "Dia 26 quero #Eunicio15 para mudar CE", em referência ao senador Eunício Oliveira (PMDB), que na época concorria ao governo do Ceará.

Image captionPerfil falso diz apoiar o senador Eunício Oliveira | Imagem: Twitter/Reprodução

Dois meses antes, ela elogiava Paulo Hartung (PMDB), então candidato ao governo do Espírito Santo, por sua performance em um debate, sempre incluindo também uma hashtag em referência a esses políticos

Image caption'Fernanda Lucci' apoia Hartung | Imagem: Twitter/Reprodução
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Atividade recente

Parte dos perfis identificados como falsos estavam ativos até novembro deste ano, interagindo, curtindo e comentando em publicações da deputada federal Laura Carneiro (PMDB-RJ), como fazem os perfis de "Marcos Vieira" e "Breno Marson", que tagueiam perfis de pessoas com maior proeminência no Twitter para tentar aumentar o alcance da publicação.

A assessoria de imprensa da deputada diz não ter "conhecimento sobre o uso antiético de perfis falsos em qualquer prestação de serviços realizados por essa empresa".

Image captionPerfis marcam Twitter de famosos em publicação de deputada no Twitter | Imagem: Twitter/Reprodução

Uma publicação sobre vacinação antirrábica na página do Facebook da parlamentar, do dia 26 de setembro deste ano, tem nove comentários. Cinco deles foram feitos por perfis identificados como ciborgues, com poucos minutos de diferença.

"Romulo Borges" comenta que a iniciativa da deputada é "Super importante!!!". Ele tem 71 amigos e começou a publicar no Facebook, em março deste ano, textos como "esperando a hora de chegar em casa e comer sobra de pizza" e "segunda-feira chuvosa e fria", sempre da plataforma Hootsuite.

"Borges" também tem um perfil no Twitter, com a mesma foto e mesmo nome. Foi criado em 2010 e ficou ativo entre julho e outubro de 2014, quando tuitava sobre sua rotina ("bom dia", "trabalho pesado", "fome", "boa noite" são expressões recorrentes).

Na época, chegou a tuitar sobre um debate entre Dilma Rousseff (PT) e Aécio, criticando a performance de Dilma. Encerrou suas atividades no fim de outubro daquele ano e só voltou em março de 2017. Hoje em dia, curte no Twitter quase todas as publicações de Laura Carneiro. Uma pesquisa feita pela BBC Brasil revela que sua foto, na realidade, pertence a outra pessoa.
Ator grego

Também fora de campanha, mas em 2013, Renan Calheiros (PMDB-AL) teria contratado a empresa para cuidar de sua imagem, segundo um dos entrevistados.

Naquele ano, quando manifestações pelo Brasil pediam o impeachment do então presidente do Senado, os perfis supostamente falsos criaram a hashtag #MexeuComRenanMexeuComigo, defendendo o político nas redes e criando a falsa ilusão de que ele era apoiado por aquele grupo de pessoas.

O perfil falso abaixo, de "Patrick Santino", entrou em uma briga com outro usuário (que já não está mais ativo) usando a hashtag para defender o senador, num tuíte replicado 777 vezes. Sua foto de perfil pertence ao ator e cantor grego Sakis Rouvas

Image captionPerfil falso escreve mensagem a favor do senador Renan Calheiros | Imagem: Twitter/Reprodução
.Pressão por projeto de lei

Ao menos oito perfis falsos identificados pela BBC Brasil fizeram postagens positivas em relação à Friboi, da JBS. Segundo um dos entrevistados pela reportagem, a empresa contratou os serviços da agência para "botar pressão" pela aprovação de um projeto de lei que exigisse de todos abatedouros no Brasil um selo mais rígido - favorecendo o frigorífico, que teria a capacidade de tê-lo. A J&F Investimentos, holding que controla a JBS, não quis comentar.

"Letícia Priori" está no Twitter e no Facebook, onde já escreveu sobre Aécio Neves (PSDB), Renan Filho (PMDB) e Eunício Oliveira (PMDB). Quando não fala sobre políticos, escreve a respeito das sobrinhas e do chefe. E, numa manhã de quarta-feira, recomenda a seus seguidores uma receita da Friboi, acompanhada de sua hashtag. A foto de "Letícia" pertence a uma mulher morta. A BBC Brasil tentou entrar em contato, sem sucesso, com a família da jovem real, assassinada de forma brutal no Rio de Janeiro.

Image captionPerfil que usa foto de mulher morta elogia Friboi | Imagem: Twitter/Reprodução

Ataque a inimigos
Os perfis, segundo os entrevistados, também participavam de grupos políticos no Facebook. A BBC Brasil identificou um grupo contra Renato Casagrande (PSB), então candidato ao governo do Espírito Santo, criado por "Deborah Mendes", que usa foto de perfil retirada de um banco de imagens e é um dos perfis que seriam ligados à Facemedia. A atividade da página mostra que ela adicionou um funcionário da Facemedia ao grupo.

Casagrande disputava as eleições com o atual governador Paulo Hartung (PMDB), defendido pelos perfis falsos.

Image captionGrupo criado por perfil falso no Facebook tem participação de coordenador da Facemedia | Imagem: Facebook/Reprodução

Ao menos uma dezena dos membros do grupo são fakes. Outra parte é composta por pessoas verdadeiras, que foram expostas às postagens no grupo, visualizando notícias e comentários publicados por eles, sempre contra o candidato. Quando um perfil publicava uma notícia, imediatamente outros comentavam abaixo dela, dando "força" à publicação.
'Esse tal de Twitter'

Em 2009, Trevisan foi convidado para o programa matinal de Ana Maria Braga na TV Globo para falar sobre "esse tal de Twitter", nas palavras dela. Apresentou-se como "consultor de marketing", que trabalhava "monitorando marcas e produtos" nas redes sociais e disse ter recebido treinamento dos "papas de Twitter" da campanha do então presidente americano Barack Obama. Em seu Instagram, Trevisan posta imagens com logos do Facebook e do Twitter agradecendo sua existência.

Foi entrevistado várias vezes para reportagens sobre a página Lei Seca RJ, sempre dizendo que ela fora criada com o intuito de melhorar a vida de quem não havia bebido e perdia tempo nas filas das blitze no Rio - e não por quem bebe acima do limite, dirige e quer escapar da lei.

Em 2010, Trevisan foi homenageado pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro"por seu relevante serviço voluntário prestado em prol dos atingidos pelas fortes chuvas do mês de abril" - a autora da proposta foi a então vereadora Clarissa Garotinho. Na época, a página Lei Seca RJ orientou seguidores publicando informações sobre as enchentes.
Implicações legais

Apenas criar um perfil falso sem a intenção de enganar os outros, ou seja, de modo transparente, não é ilegal e "se aproxima ao conceito do pseudônimo, de criar uma identidade nova", diz a advogada Patrícia Peck, especialista em direito digital. "Onde começa a ter problema? Quando o pseudônimo existir com a finalidade de enganar outros, entrando no crime da falsa identidade."

A criação de perfis expostos nessa reportagem, segundo ela, se encaixaria no crime de falsa identidade, já que interagiram com outras pessoas sem deixar claro que eram falsos. A pena é detenção de três meses a um ano ou multa.

Os perfis falsos que usaram imagens de pessoas reais cometeram o ilícito civil do uso não autorizado de imagem. As pessoas reais, donas das fotos, podem pedir indenização. Também podem alegar na Justiça que houve crime contra a honra, por difamação - "quando você fala como se fosse outra pessoa, pode construir uma imagem diferente da dela e ferir sua imagem e reputação", diz Peck. A pena é de três meses a um ano de detenção e multa.

A criação de personagens nas redes sociais também pode ser enquadrada no crime de falsidade ideológica, na visão de Peck, para quem as páginas são uma espécie de documento, cuja falsificação é pré-requisito para esse tipo de crime. A pena é reclusão de um a três anos e multa.

E, por fim, caso seja provado que houve alguma espécie de ganho com a criação dos perfis falsos, é possível que seja enquadrada no crime de estelionato. A pena é reclusão de um a cinco anos e multa.

A transgressão é menos clara no campo político, mas foi em parte endereçada na reforma eleitoral aprovada em outubro. E o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) se prepara para divulgar até dezembro um conjunto de novas regras de comportamento online para partidos e candidatos.

A nova legislação proíbe "a veiculação de conteúdos de cunho eleitoral" por meio de "cadastro de usuário de aplicação de internet com a intenção de falsear identidade".

Mas isso durante o período eleitoral - já passaram os prazos para quaisquer reclamações referentes às eleições de 2012 e 2014.
O que dizem os citados na reportagem

Eduardo Trevisan

"A Facemedia é uma empresa de comunicação digital consolidada no mercado há dez anos. Nesse período, prestamos serviços para mais de uma centena de clientes. Nossa empresa é especializada em planejamento estratégico de marketing digital, criação e manutenção de sites e perfis, monitoramento de redes e bigdata, especializada em diversas técnicas de marketing como SEO, SEM, copywriting, branding, design thinking, relacionamento com influenciadores digitais entre outros. Além de atender a ampla carteira de clientes privados, a Facemedia utiliza seu know-how de mobilização digital em causas sociais. Em 2011, por exemplo, a Facemedia foi agraciada pelo The New York Times com o 'Oscar do Twitter', pela ajuda humanitária aos desabrigados da tragédia das chuvas que atingiram a Região Serrana no Rio de Janeiro. Na ocasião, centenas de pessoas em situação de risco foram ajudadas por meio dos canais digitais da empresa, com mais de 5 milhões de pessoas conectadas. As conexões entre os perfis são estabelecidas por critérios das próprias redes sociais, inexistindo o conceito de 'vinculação', sugerido na pergunta. Os serviços em campanhas eleitorais prestados pela Facemedia estão descritos e registrados pelo TSE, de forma transparente. Por questões éticas e contratuais, a Facemedia não repassa informações de clientes privados."

PSDB

"A empresa Face Comunicação On Line Ltda. foi contratada no primeiro turno das eleições de 2014 para prestação de serviços à eleição presidencial, que consistiu em monitoramento e análises de movimentos e tendências em Redes Sociais. O PSDB desconhece o suposto uso de perfis falsos por referida empresa e registra que jamais fez uso dessa forma de divulgação de mensagens em redes sociais ou qualquer outro ambiente."

Aécio Neves (PSDB)

Por meio de sua assessoria, o senador diz não conhecer a empresa em questão.

Renan Filho (PMDB)

"A empresa em questão prestou à campanha do atual governador Renan Filho, mediante contrato e objetivo expressamente delineados, os serviços de monitoramento e análise digital, fornecendo à campanha informações capazes de projetar/avaliar a densidade eleitoral das candidaturas através do nível de interesse apresentado pelo eleitor, conforme suas preferências manifestadas na rede social. A despesa em questão consta da prestação de contas do então candidato e foi devidamente aprovada pelo TRE/AL. Em nenhuma hipótese houve contratação ou realização de pagamento para a criação de perfis falsos ou divulgações online por estes em favor da campanha."

Vital do Rêgo Filho (PMDB)

"A coordenação da campanha de Vital do Rêgo para o governo da Paraíba, em 2014, contratou serviços de mídias sociais para divulgação regular de sua campanha, desconhecendo qualquer criação de perfis falsos por parte da empresa contratada. Todas as despesas da campanha constam da prestação de contas, devidamente aprovada pelo TSE. A coordenação da campanha afirma ainda o seu inteiro repúdio a esse tipo de prática."

PVR Propaganda e Marketing Ltda

"A empresa só reconhece pagamentos feitos no primeiro semestre de 2014. A PVR pagou R$ 504 mil à empresa Face Media por serviços de monitoramento e análise do cenário político em internet e redes sociais. A PVR não pagou pela divulgação da candidatura de Aécio Neves nem de produtos da JBS. O contrato da PVR com a J&F não prevê isso e não existe outra prestação de serviços à J&F que não seja o contratado. Não existe nenhuma solicitação de contratação deste tipo de serviço pela PVR durante os quatro meses em que durou o contrato com a Face Media." Também ressaltou que o Coaf não encontrou nenhuma irregularidade em suas movimentações.

J&F

Não quis comentar.

Laura Carneiro (PMDB)

"O gabinete da deputada Laura Carneiro informa que contratou os serviços da Face Comunicação On Line Ltda em fevereiro de 2017, conforme prestação de contas no Portal da Transparência da Câmara dos Deputados. A empresa foi contratada pelo histórico de trabalhos no Brasil e no exterior, e por seu bom conceito no mercado. Os serviços eram de monitoramento e de divulgação do mandato parlamentar nas mídias sociais. A assessoria da deputada não tem qualquer conhecimento sobre o uso antiético de perfis falsos em qualquer prestação de serviços realizados por essa empresa."

Eunício Oliveira (PMDB)

"O senador Eunício Oliveira desconhece e em nenhum momento autorizou o uso de perfis falsos em suas campanhas eleitorais. O senador lamenta o uso e a disseminação de perfis e notícias falsos em qualquer tipo de comunicação."

Renan Calheiros (PMDB)

"Renan Calheiros afirma que jamais contratou esse tipo de serviço. Em 2013, o senador sequer participava efetivamente das redes sociais, o que aconteceu apenas a partir do final do ano passado. Uma das grandes preocupações do senador atualmente é com o alcance orgânico das publicações e com as reações de perfis verdadeiros, que realmente representem o pensamento da sociedade. Nos últimos meses, o parlamentar tem feito discursos defendendo a fiscalização dos conteúdos postados por fakes em redes sociais. Renan, inclusive, tem sido vítima constante de ataques, especialmente quando faz críticas aos excessos cometidos por integrantes do Ministério Público ou defende a proibição do comércio de armas. Como forma de resguardar o processo democrático nas eleições que se aproximam, o senador acredita que é preciso criar ferramentas para fiscalizar e punir a disseminação de mentiras e ódio nas redes sociais."

Eduardo Braga (PMDB)

O senador informou que não contratou nem ouviu falar da empresa Facemedia.

Ricardo Ferraço (PSDB)

"No curto período de maio a dezembro de 2012, a empresa Face Comunicação Online Ltda. prestou serviços de assessoria de comunicação digital ao meu gabinete, com o objetivo de estruturar o uso de mídias sociais. Os serviços contratados eram de diagnóstico, monitoramento de redes e consultoria de conteúdo de postagens. Jamais foi contratada, solicitada ou autorizada qualquer estratégia de comunicação que não fosse legal e ética. De mesmo modo, nunca orientei ou tive informação de que tal empresa se valia de algum expediente que não os legais e éticos, muito menos com a utilização de perfis fakes na internet. Obviamente, estou surpreso."

Gim Argello

A reportagem não conseguiu contato com a assessoria de Gim Argello, hoje preso da Lava Jato. Seu advogado disse que não poderia responder sobre o tema.

Paulo Hartung (PMDB)

"Por meio da assessoria, o governador Paulo Hartung declarou que repudia o uso de qualquer tipo de mecanismo que utilize influência criminosa da tecnologia no processo eleitoral e no dia a dia das pessoas. De acordo com a assessoria, na última eleição, o governador utilizou uma equipe enxuta de comunicação, que foi responsável pelo atendimento à imprensa e mídias sociais. Acreditamos que as redes viabilizam um canal direto com a população que participou com questionamentos, contribuições e reflexões. O governador rechaça qualquer informação sobre uso de perfis fakes na campanha no último pleito eleitoral ao Poder Executivo Estadual."

Rodney Miranda (DEM)

"Por meio de sua assessoria de imprensa, Rodney Miranda esclareceu que desconhece a atuação da empresa mencionada e ratificou que o trabalho nas redes sociais foi, à época, desenvolvido por apoiadores do então candidato."

Índio da Costa (PSD)

"O deputado federal licenciado e atual secretário municipal de Urbanismo, Infraestrutura e Habitação esclarece que não contratou os serviços citados e por isso nada tem a dizer sobre o assunto."

Felipe Peixoto (PSB)

"Reafirmamos que nossas campanhas sempre foram pautadas pela ética e transparência e repudiamos qualquer utilização de mecanismos fora desses princípios em nossas atuações."

Assessoria que prestou serviços a Wallim Vasconcelos na época da eleição

"O uso da Facemedia em campanha foi para monitoramento e reação nas redes. Pelo tempo curto de campanha, optamos por receber relatórios sobre performance nas redes sociais. Fechamos um valor simbólico, já que nossa campanha foi toda feita através de voluntários, e apoiadores. Recebíamos relatórios de aceitação da chapa nas redes. Um termômetro que apontava pontos positivos e negativos das chapas (tanto a nossa quanto dos concorrentes), dos candidatos e seus apoiadores. O trabalho deles era somente monitorar, captar dados, compilar relatórios para que tivéssemos como trabalhar nossa estratégia de atuação. Eles nunca usaram nossas redes de campanha nem acesso a dados nossos. Na reta final de campanha, surgiram nas redes perfis fakes, em grande quantidade, e ao questionarmos sobre este surgimento, se estava associado à agência, recebemos a resposta formal por eles, que não se utilizam desta estratégia. Na ocasião passamos a denunciar os perfis, que era a única forma de combater a atuação, uma vez que não tínhamos como saber sua origem."

Fonte BBC Brasil