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segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Mar do Açu avança mais a cada dia e população está temerosa

O Inea e a Prumo, responsável pelo Porto do Açu, negam o envolvimento do empreendimento no fenômeno

Em menos de um ano, a paisagem de Barra do Açu, no 5º Distrito de São João da Barra, mudou completamente. A Avenida Atlântica, por onde até o último verão ainda passavam carros, hoje está tomada pela areia e o mar está cada vez mais próximo. Os muros de algumas residências já foram derrubados pela força das águas, fenômeno parecido com o que vem ocorrendo em Atafona. No entanto, especialistas entendem que a velocidade com que a erosão acontece no Açu não corresponde a um processo natural e a implantação dos empreendimentos na localidade pode ter sido um dos causadores do avanço do mar.

Paulo César Ribeiro de Almeida, de 58 anos, é nascido e criado em Barra do Açu. A casa da família está situada Avenida Atlântica - que agora já faz parte da faixa de areia da praia. Ele tem medo de acordar e se deparar com o mar no quintal da residência. “O mar está avançando muito rápido. Antigamente, ele avançava no período de ressaca, mas recuava em seguida. Hoje, ele somente avança. Isso tudo vem ocorrendo nos últimos cinco anos e acreditamos que a construção do Porto do Açu pode ter contribuído para isso. Sabemos que a faixa de areia próximo ao Porto aumentou mais de 100 metros, enquanto o mar invade as casas por aqui. Houve alguma alteração nas correntes marítimas e quem sofre é a população que reside na área. Alguém precisa tomar uma providência”, disse.

O ambientalista Aristides Soffiati confirmou a hipótese de Paulo César. Ele explicou que, com base no estudo elaborado pelo geógrafo especializado em engenharia costeira e pesquisador da Universidade Federal Fluminense (UFF), Eduardo Bulhões, para a instalação do Complexo Portuário do Açu foram construídos dois espigões de pedra, um em cada margem do Rio, para impedir a invasão do mar no estaleiro. Esses espigões estariam obstruindo a passagem da areia para o Sul e para o Norte. O espigão do sul segura a areia que sai do Açu em direção ao mar. Já o espigão do norte impede o retorno da areia para a praia.

Soffiati acrescenta que um fenômeno parecido aconteceu com a instalação do Complexo Farol-Barra do Furado: em Quissamã, a faixa de areia aumentou e em Campos, a praia foi erodida. “A erosão no Açu já estava prevista”, disse.

O Instituto Estadual do Ambiente (Inea), que emitiu parecer favorável e concedeu a Licença Ambiental para a implantação do Complexo Portuário do Açu, nega o envolvimento do empreendimento no processo que ocorre na localidade. Segundo nota encaminhada pela assessoria de imprensa do órgão, “os fenômenos oceanográficos nesta região são cíclicos e os episódios de erosão ou assoreamento já ocorriam antes da implantação do Porto do Açu”. A assessoria informou ainda que “estudos feitos pela Fundação Coordenação de Projetos, Pesquisas e Estudos Tecnológicos (Coppetec) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) não apontaram nexo causal entre as obras do porto e a erosão em pontos do litoral” e que “para esclarecer definitivamente a questão, os estudos da Coppe foram aprofundados e estão sendo avaliados pelo Instituto Nacional de Pesquisa Hidroviária, para posteriormente serem encaminhados ao Inea”.

Já a Prumo, empresa responsável pelo Porto do Açu, informou que “os resultados obtidos até agora nos estudos e monitoramentos da dinâmica sedimentológica marinha e de erosões costeiras na Praia do Açu indicam que não há relação do estreitamento da faixa de areia com as obras de construção do quebra-mar do Terminal 2 (T2) do Porto do Açu”.


Há exatamente um ano, em setembro do ano passado, a população do Açu viveu dias de terror. No dia 23, o mar chegou a invadir o Destacamento de Policiamento Ostensivo (DPO) da localidade e assustou os moradores que afirmaram nunca terem visto fenômeno parecido. Na ocasião, agentes do Ministério Público Federal estiveram em Barra do Açu para fotografar a área e conversar com a população.


Em seguida, o procurador da República, Eduardo Santos Oliveira, afirmou à reportagem do jornal Terceira Via que o MPF iria apurar a responsabilidade do Inea e da Prumo pelos danos no Açu que seriam “irreversíveis”. Ele disse que os impactos ambientais vinham gerando preocupações no âmbito social e de saúde pública, já que a população estava temerosa e que o avanço do mar estaria ocasionando ainda a salinização do rio Paraíba do Açu.

Esta semana, a reportagem do Terceira Via entrou em contato com o procurador para saber quais foram as últimas ações do MPF sobre o assunto, mas não obteve resposta. Ainda assim, o jornal aguarda e publicará o parecer do procurador assim que conseguir contato.
Jornal Terceira Via

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